Frequento,com pouca asssiduidade, o atelier Trassovivo, do meu amigo Jorge Aragão, onde a Margarida dá largas à sua criatividade artística. É um grupo de amadores muito simpáticos e de muito valor já publicamente comprovado. Instado, de vez em quando, a tentar a minha inexistente arte pictórica já lhes disse que, se desenhasse um burro, para alguém identificar a figura teria que ver escrito por bem perto “isto é um burro”. “Já que não desenha escreva” sentenciam. Respondo não ao desafio mas à amabilidade com este
Em jeito de apotegma
Universo sedutor, simbólico,
Pensar o todo, pintar a parte,
É arte.
Espaço, dimensão sem medição,
A servir de atelier, abrigo,
Amigo.
Local de liberdade criativa,
Onde o lema é imaginar,
Sonhar.
Onde basta libertar a fantasia,
Onde basta dar sentido ao que fazer,
Conviver.
Maravilha de criar em tela rasa,
Dizer sem palavras, emoção,
Sedução.
Substâncias de produção:
Óleo, acrílico, aguarela,
A tela.
Criações imaginadas...
Regra? A sinceridade,
Liberdade.
Abstratos, fingidos, reais;
Chapéus que dão vida à vida,
Margarida.
Formas que a mente pariu:
O nu, o hirto, o lascivo;
Trassovivo,
Artistas a voar bem alto,
Sabem por que aqui estão?
Aragão.
francisco
sexta-feira, 5 de junho de 2009
terça-feira, 12 de maio de 2009
Re(viver)lembrar o passado.Cumprir o ritual, este ano organizado pelo Arménio em Bragança. A 8, sexta, o trajecto é um passeio: CREL,A1,A23,A25,A24,IP4. Paragem breve à beira da estrada em Bornes para comprar as genuinas cerejas à moça campesina que, enquanto, vai cuidando das 3 sobrinhitas com os pais na emigração. À noite o apetecido jantar no Solar Bragançano, com a Aninhas a servir-nos a indispensável sopa de castanhas, o naco que só não é posta por causa do tamanho e a apetitosa novidade do caldo de cerejas.A pousada, para além de acolhedora e repousante, oferece uma vista panorâmica da cidade.Cumpre-se, depois, o programa: primeiro encontro na velha Escola agora transformada na Casa do Professor, missa na Sé (Velha) com o padre Sobrinho a abençoar-nos religiosamente, visita (bem)guiada ao novo Centro de Arte Contemporânea Graça Morais (a pintora com quem a Margarida pôde ter, como tanto ansiava, um bate-papo) e à exposição itinerante de pintura “Arte partilhada do Millennium BCP” com belos exemplares de Almada Negreiros, Cargaleiro, Carlos Botelho, Columbano, Graça Morais, Júlio Resende, Malhoa, Menez, Nadir Afonso, Noronha da Costa, Paula Rego, Pomar, Silva Porto, Souza-Cardoso e outros.Encontro final ao almoço na bela quinta do anfitrião, pretexto para (re)lembrar o passado, a sua razão de ser, sem discursos e com muitos «naquele tempo...». Os versos de Junqueiro «Ai, há quanto tempo eu parti chorando...» serviram de mote ao registo :
52º Encontro da Saudade (Bragança, 9-05-09]
Foi há muitos anos que aqui começou
Um percurso lindo que seguiu depois;
Que tempo foi esse que assim nos marcou?
Foi há tantos anos...há 52.
Lembranças antigas, são recordações
De tempos passados, difíceis, direis...
Jovens sonhadores, cheios de ilusões
Quando começámos em 56.
Dois anos fugazes que duraram tanto,
Com final feliz...futuro promete;
Vaidade, canudo, liberdade, encanto,
Quando terminámos em 57.
Lealdade e ajuda era o catecismo,
Culto do valor que é a amizade,
Que bons esses tempos de companheirismo,
De que hoje temos tão terna saudade.
Terminado o curso felizes, contentes,
Por terras diversas andámos, então;
Educámos jovens, ensinámos gentes,
Sentimos orgulho da nobre missão.
Sair motivados, heróis do futuro,
Em frente, valentes, que a luta é o lema;
Trabalho apurado, êxito seguro;
Das lutas da vida fizémos poema.
Passaram os anos; a vida é lutar,
Vitórias, derrotas, bem que o sabemos;
Hoje aqui estamos para recordar
Os tempos felizes que aqui vivemos.
Tempo de balanço...o que há no «haver»?
Com orgulho e amor cidadãos formámos,
Jovens e adultos fizémos crescer,
Tributo à Escola que sempre honrámos.
Nossas ferramentas? As de quem ensina:
O ponteiro, o livro, ao ombro a sacola;
Seremos vaidosos? Foi a nossa sina,
Fizémos história. Viva a nossa Escola.
Foi há tantos anos que aqui começou
O nosso percurso! Continuou depois;
Que tempo tão belo! Como nos marcou!
Foi há quantos anos? Há 52.
52º Encontro da Saudade (Bragança, 9-05-09]
Foi há muitos anos que aqui começou
Um percurso lindo que seguiu depois;
Que tempo foi esse que assim nos marcou?
Foi há tantos anos...há 52.
Lembranças antigas, são recordações
De tempos passados, difíceis, direis...
Jovens sonhadores, cheios de ilusões
Quando começámos em 56.
Dois anos fugazes que duraram tanto,
Com final feliz...futuro promete;
Vaidade, canudo, liberdade, encanto,
Quando terminámos em 57.
Lealdade e ajuda era o catecismo,
Culto do valor que é a amizade,
Que bons esses tempos de companheirismo,
De que hoje temos tão terna saudade.
Terminado o curso felizes, contentes,
Por terras diversas andámos, então;
Educámos jovens, ensinámos gentes,
Sentimos orgulho da nobre missão.
Sair motivados, heróis do futuro,
Em frente, valentes, que a luta é o lema;
Trabalho apurado, êxito seguro;
Das lutas da vida fizémos poema.
Passaram os anos; a vida é lutar,
Vitórias, derrotas, bem que o sabemos;
Hoje aqui estamos para recordar
Os tempos felizes que aqui vivemos.
Tempo de balanço...o que há no «haver»?
Com orgulho e amor cidadãos formámos,
Jovens e adultos fizémos crescer,
Tributo à Escola que sempre honrámos.
Nossas ferramentas? As de quem ensina:
O ponteiro, o livro, ao ombro a sacola;
Seremos vaidosos? Foi a nossa sina,
Fizémos história. Viva a nossa Escola.
Foi há tantos anos que aqui começou
O nosso percurso! Continuou depois;
Que tempo tão belo! Como nos marcou!
Foi há quantos anos? Há 52.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009
É a política, estúpido...Oiço e pasmo, leio e não acredito: "Sócrates é o maior coveiro da Pátria" (Manuela F. L.). Da Pátria? Ela saberá o que é a Pátria? Saberá da nossa História ao menos o que lhe ensinaram na 4ª classe? E foi "isto" Ministra da Educação! Aix, que monstro de insensibilidade! Ou será apenas ignorância do significado das palavras? Seja como for, perante insulto tão desbocado, as famosas bacoradas do Jardim da Madeira não passam de epidérmicos arranhões nas nossas sensibilidades políticas.
É a política, estúpido...Oiço e pasmo, leio e não acredito: "Sócrates é o maior coveiro da Pátria" (Manuela F. L.). Da Pátria? Ela saberá o que é a Pátria? Saberá da nossa História ao menos o que lhe ensinaram na 4ª classe? E foi "isto" Ministra da Educação! Aix, que monstro de insensibilidade! Ou será apenas ignorância do significado das palavras? Seja como for, perante insulto tão desbocado, as famosas bacoradas do Jardim da Madeira não passam de epidérmicos arranhões nas nossas sensibilidades políticas.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
As parras
Gosto do Outono. Além de suscitar nostalgias agradáveis brinda-nos com as folhas como nenhuma outra estação. Eu gosto de folhas, de todas, mas muito especialmente das folhas parras que são as folhas das parreiras (outros dizem videiras). As parras, no Outono, são únicas quando asssumem cores que o pincel do artista só imita. Comparáveis, talvez as de plátano. É vê-las ainda mal presas à vide, a caírem frágeis sob uma brisa suave ou espalhadas em chão rústico acolhedor. As parras são úteis e são inúteis. Úteis para fertilizar e servir de metáfora (“muita parra e pouca uva”) e de inspiração à fábula da raposa astuta mas despeitada de La Fontaine: “ainda estão verdes”. Inúteis como as que, intrigado, vi nos museus do Vaticano a taparem o sexo daquelas belas estátuas produzidas pelo génio clássico e renascentista. “Uma parrachachada» pensei então, sem reparar na perversidade do neologismo em local tão púdico. Para mim melhor que as amendoeiras em flor anunciando a Primavera só as parras do Douro despedindo-se do Verão.
Gosto do Outono. Além de suscitar nostalgias agradáveis brinda-nos com as folhas como nenhuma outra estação. Eu gosto de folhas, de todas, mas muito especialmente das folhas parras que são as folhas das parreiras (outros dizem videiras). As parras, no Outono, são únicas quando asssumem cores que o pincel do artista só imita. Comparáveis, talvez as de plátano. É vê-las ainda mal presas à vide, a caírem frágeis sob uma brisa suave ou espalhadas em chão rústico acolhedor. As parras são úteis e são inúteis. Úteis para fertilizar e servir de metáfora (“muita parra e pouca uva”) e de inspiração à fábula da raposa astuta mas despeitada de La Fontaine: “ainda estão verdes”. Inúteis como as que, intrigado, vi nos museus do Vaticano a taparem o sexo daquelas belas estátuas produzidas pelo génio clássico e renascentista. “Uma parrachachada» pensei então, sem reparar na perversidade do neologismo em local tão púdico. Para mim melhor que as amendoeiras em flor anunciando a Primavera só as parras do Douro despedindo-se do Verão.
«Amália». É um filme com texto vulgar mas bem realizado e muito bem sonorizado. Não sei qual o critério da escolha dos fados, todavia não consta o que, para mim, é dos mais belos. A letra foi escrita pelo poeta António de Sousa Freitas e musicada pelo Alfredo Duarte (Marceneiro) e faz parte do célebre CD do busto:
Na rua do silêncio
é tudo mais ausente,
até foge o luar
e até a vida é pranto.
Não há juras de amor,
não há quem nos lamente
e o sol quando lá vai
é p'ra deitar quebranto.
Na rua do silêncio
o fado é mais sombrio
e as sombras duma flor
não cabem lá também.
A rua tem destino
e o seu destino frio
não tem sentido algum,
não passa lá ninguém.
Na rua do silêncio
as portas estão fechadas
e até o sonho cai
sem fé e sem ternura.
Na rua do silêncio
há lágrimas cansadas.
Na rua do silêncio
é sempre noite escura.
Na rua do silêncio
é tudo mais ausente,
até foge o luar
e até a vida é pranto.
Não há juras de amor,
não há quem nos lamente
e o sol quando lá vai
é p'ra deitar quebranto.
Na rua do silêncio
o fado é mais sombrio
e as sombras duma flor
não cabem lá também.
A rua tem destino
e o seu destino frio
não tem sentido algum,
não passa lá ninguém.
Na rua do silêncio
as portas estão fechadas
e até o sonho cai
sem fé e sem ternura.
Na rua do silêncio
há lágrimas cansadas.
Na rua do silêncio
é sempre noite escura.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Sempre fui mais interessado pelo social do que pelo político.Creio, mesmo, que é pela dimensão social que se deveria aferir a política. Não conheço critério para avaliação do progresso político, se é que este existe; já o progresso social pode existir ou não de acordo com parâmetros objectivos. Nestes dias tenho sorrido com forte cor amarela ao ouvir aqueles que, defensores acérrimos do W Bush, vêm agora, depois da derrota, culpá-lo pelos desastres da governação. Ora não foi o político que perdeu; o social é que poderá ter ganho.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
a crise chegou adeus
“Estamos a perceber, com o colapso dos grandes bancos, que o dinheiro desaparece, não é nada. Apenas as palavras de Deus são uma sólida realidade”. Papa Bento XVI (Visão nº 814, de 9/10/08).
Deus poderá não estar em falência mas o seu valor facial não convida nada à compra!
Deus poderá não estar em falência mas o seu valor facial não convida nada à compra!
Subscrever:
Mensagens (Atom)