quarta-feira, 12 de março de 2008

Acabo de ouvir no «Quadratura do círculo» o Pacheco Pereira comentar, a propósito das recentes eleições em Espanha, que uma total autonomia (independência) de regiões não seria nada positivo para Portugal. É um assunto em que todos os não iberistas (como eu) deveríamos pensar seriamente.

domingo, 2 de março de 2008

o burro

O burro é um animal doméstico porque vive com o homem. O burro dá-nos o estrume que serve para adubar as hortas, dá-nos os ossos que servem para fazer pentes e dá-nos a força que serve para acarretar tudo o que cá se cultiva : centeio, cevada, ferranha, milho, batatas e nabiças e até é capaz de trazer da ladeira sacos de amêndoa e de azeitona que vai logo para as tulhas do lagar dos Benignos. O burro também serve para levar a gente para a feira na Vila, mas aí vai todo enfeitado com albarda nova com tapete e alforjas bordadas e cabresto próprio. Até parece que vai para a festa. Mas não é boa educação a mulher ir escarranchada ou ir à frente do homem, podem dizer que vai roubada. Alguns ricos têm cavalo mas os que vão de burro também vão a cavalo. Dá na mesma e os burros até são mais mansos. Por isso os sentenças dizem mais quero burro que me leve do que cavalo que me derrube. Os alfaiates dos burros são os albardeiros que na nossa terra são muito importantes porque há cá muitos burros. A professora ensinou-nos que burro é um substantivo comum e regular pois o feminino é burra ao contrário do feminino de boi que não é boia e de carneiro que não é carneira e de cavalo que não é cavala e de galo que não é gala e de cão que não é cã e de chibo que não é chiba. Os burros são animais educados, um dia ouvi o meu pai dizer para o tio João quando um burro zurna o outro amoucha as orelhas, isto para o meu tio não o interromper, mas são amigos. Agora quem já não gosta tanto de burros é o
Silvestre, desde que por causa do ditado apanhou três reguadas em cada mão, coitado. Também quem é que o mandou escrever burra com ó. Mesmo assim no recreio ainda brincamos aos burros. Uma é assim, diz depressa aqui jaz o rei e a outra é os da 4ª classe a perguntarem qual é a 1ª pessoa do singular do presente do indicativo do verbo zurnar. Alguns caem nela. Os burros quando são novos não são burros, agora já se sabe que burro velho não toma andadura.Também nessa idade não sei para que é que a quereria. Os ciganos sabem a idade dos burros pelos dentes e se não se enganam enganam mas os aldeanos já estão de pé atrás com eles, mas isso é só para comprar e vender porque se for burro dado não se lhe olha o dente. Há uma data de dias especiais, da Mãe, do Pai, dos namorados, da feira, da festa, o dia de são nunca à tarde que quando então o meu pai diz que me vai dar a burrica e assim mas dos burros ainda há mais, há um mês que é o que aí vem. Nesse mês juntam-se nas eiras do Prado muitos burros e burras a brincar mas as mães não querem que os vamos ver porque dizem que fazem coisas feias mas nós vamos às escondidas. Os burros não são burros as portas e os socos é que sim. Porque ao contrário do nome o burro é inteligente, a nossa senhora catequista ensinou-nos que está na Bíblia que uma burra até falou, até nos disse o nome do dono mas eu não me lembro, desculpe, e outro burro pensou tanto que até morreu a pensar. Os burros são educados e não gritam, por isso é que as suas vozes não chegam ao céu que está muito longe. E o burro também serve para dar conselhos e fazer recomendações como esta tu não sejas burro ou esta pensavas que era só chegar à burra e tirar-lhe um figo? O burro é um animal valente que se aguenta bem, pois só com três ao burro e o burro no chão. Por causa de um burro eu um dia fiquei todo embufado quando me disseram que o meu irmão tinha uma burra e eu também queria. Por fim ainda se riram de mim porque a burra era na mão. Há dias quando a minha avó mudava os lençóis espreitei vinte mil reis no colchão mas ela logo me disse que se fosse rica os metia na burra, adonde não sei. Os burros em pequeninos são muito lindos mas quando o Artúrio me chamou Chico burrico eu enraivei-me e escondi-lhe o regrão. Há pessoas que se aproveitam dos burros para serem mal-criadas. Um dia a Alice disse à Celeste foi a burra da tua tia referindo-se à tia e não à burra. Agora espero que a professora não me chame cabeça de burro por já ter escrito 47 vezes a palavra burro, fora esta e a que vem a seguir. Vai ser bonito, vai. Porí não me leva a exame mas a minha mãe já lhe prometeu um queijo de ovelha curado. Por tudo isto eu gosto muito do burro. Fim.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

morte

Hoje dei comigo a pensar : o melhor da vida é a morte porque então já não pensamos nela.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Debates

Acabo de assistir, no programa «prós e contras» ao debate(?) sobre o estado da educação em Portugal. Aix, que tristeza! Logo me veio à mente aquela do A. O'Neil:

E se fôssemos rir,
Rir de tudo tanto
Que, à força de rir,
O riso se tornasse pranto?
Anti-epitáfio

Belas frases em campa rasa e fria
Não escondem o vazio da eternidade;
Não há crença onde a única verdade
É a certeza de não voltar um dia.

Nem é coragem, nem fraqueza ou rebeldia
Não querer epitáfio de saudade;
Há-de haver quem exalte a liberdade
De dar ao corpo o destino que queria.

Se alguém fizer frases, que vão fora ;
Se mereço uma memória do passado
O meu último pedido faço agora:

Não querendo imaginar-me assim prostrado,
Prefiro ser lembrado a toda a hora
Como alguém que optou por ser cremado.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Há dias assim

1-Livros : a tabuleta pode ser (não é) muito chamativa : «Byblos, livrarias», mas aquele interior...É um espaço anunciado de 3.300m2, bem estruturado para que os clientes vejam, manuseiem e, se quiserem, saboreiem os livros que superabundam nas ofertas temáticas mais variadas. O dístico apenso à parede convida ao relaxe: «sempre imaginei que o Paraiso fosse uma espécie de livraria»(Jorge Luís Borges).Clientes? Onde estão eles? Ali ao lado, no CC Amoreiras, acotovelam-se. Aqui escasseiam. Pensamos grande, agimos pequeno.
2-No debate «a regra do jogo» (SIC) ouço e vejo o JM Júdice a defender Sócrates e o Governo e o António Barreto a criticá-los. Aix! Ao que isto chegou!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Assinaturas

«Telmo Correia assinou 300 despachos na madrugada da tomada de posse de Sócrates» [Público - 3.2.08]
Aix, o sr. é despachado!